Primeiro dia da viagem. Acordei por volta das 10 horas da manhã, um pouco em cima da hora para o que eu tinha planejado. Almocei tentando mastigar a comida, mas minha afobação não deixava - É isso mesmo, almocei as 10:45, "breaklunch" como alguns chamam - O alimento ficava poucos segundos na minha boca e já descia direto para o estomago. Provavelmente a última refeição decente que eu teria pelos próximos 15 dias, eu pensei. A Bolivia tinha comida boa? Estava dificil de acreditar que sim.Meus pais levaram eu e meu irmão até o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Duas horas de Juiz de Fora até lá, a viagem estava apenas começando.
Já na Lina Vermelha, meu pai errou a entrada para o Aeroporto. Pronto né, foi drama generalizado dentro do carro - Poxa pai, tem que prestar atenção, eu sabia que isso ia acontecer! - 5 minutos depois tivemos que calar a boca, descobrimos que o caminho estava correto. Falso alarme.A chegada no estacionamento do aeroporto foi acompanhada de tensão.
- Tem certeza que tá tudo aí?
- Mãe! Eu já respondi essa pergunta umas dez vezes.
Fomos para o 'Terminal 1' fazer o 'check in' na Gol. Havia uma fila enorme. Pensei, agora fudeu! Estavámos com o tempo contado, considerando que ainda teriámos que procurar pela Anvisa antes de pegar o vôo, sem saber quanto tempo a gente poderia demorar lá. Sorte nossa que a fila era para os vôos domésticos, não havia ninguém na fila para os vôos internaionais. Ufa!
Fizemos o 'check in' sem maiores problemas. Em seguida fomos para uma outra fila onde
outros dois funciónários da Gol verificavam as documentações exigidas, para certificar que os passageiros não teriam problemas na entrada em outro país. Fiquei me perguntando o porquê deles fazerem isso. Isso era um problema do passageiro. A única explicação que minha cabeça conseguiu encontrar foi que provavelmente eles deveriam ser obrigados a embarcar de graça o passageiro de volta para o Brasil, caso o passageiro não entrasse no outro páis, sei lá.
outros dois funciónários da Gol verificavam as documentações exigidas, para certificar que os passageiros não teriam problemas na entrada em outro país. Fiquei me perguntando o porquê deles fazerem isso. Isso era um problema do passageiro. A única explicação que minha cabeça conseguiu encontrar foi que provavelmente eles deveriam ser obrigados a embarcar de graça o passageiro de volta para o Brasil, caso o passageiro não entrasse no outro páis, sei lá.O meu passaporte estava okay (por sinal a história de como meu passaporte foi tirado é uma outra odisséia, depois eu conto). O meu irmão, porém, não tinha tirado o passaporte dele, pois para a Bolivia não é necessario, basta apenas o RG. Só que a foto na carteira de identidade dele já era mais ou menos antiga, e os caras ficaram na dúvida se as autoridades bolivianas deixariam ele entrar. Por fim, pediram para que ele replastificasse a carteira. Depois disseram que o escritório da Anvisa era no 'Termina 2'. An? 'Terminal 2'? Era do outro lado do Aeroporto, longe para capeta. Instaurou-se a correria. Fomos replastificar o RG do Ricardo no segundo andar do Terminal 1 e depois saimos em disparada para o Terminal 2. Entre os terminais havia um corredor enorme, gigante! As esteiras horizontais ajudavam a agilizar, mas mesmo assim ainda tinhamos que dar passos largos, quase correndo. Minha mãe foi ficando pra trás.
- Não se preocupem comigo. - ela dizia.
Chegamos no escritório da Anvisa com alguma margem de tempo. A gente precisava pedir o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia antes de embarcar, porque a Bolivia exigia esse documento para entrar no país. Nosso otimismo em relação ao tempo começou a ser frustrado quando a gente deu conta que só havia uma funcionária atendendo, não havia fila, mas na nossa frente havia uma mulher com toda uma família para pegar os certificados, uma criançada fazendo bagunça, o marido e uma velharia lá do lado de fora esperando a mulher fazer tudo sozinha. O fato era eles eram lerdos pra tudo, lentos e divagares. Estavam inda para Angola, visitar algum parente. Só sei que aquela calmaria e lerdeza compactuada, especialmente a do marido dela, que parecia não querer fazer nada, foi começando a me inquietar. Eu não conseguia parar de mexer as pernas e batucar os dedos na cadeira. E o tempo passava e as coisas não aconteciam. Logo a raiva começou a tomar o lugar da aflição. Minha mãe, acho que era a mais indignada, eu ainda tentava manter uma calma. O pior era que a funcionária da Anvisa parecia compartilhar da alegria de ser lerda. Resolvi ir lá explicar a situação para ela. Ela me encarou por detrás dos óculos dela e disse.
- Meu querido, vocês vão ter que esperar.
Eu quase pulei nela.
Fizemos toda a burocracia que se tinha que fazer para pegar certificado e saimos em marcha de corrida de volta para o Termina 1. A gente já tinha estorado há muito, a recomendação de entrar na área de embarque com uma hora de antecedência. Faltavam só 25 minutos para o vôo. Na nossa frente, de novo, aquele corredor enorme que ligava os terminais. Atropelamos as esteiras e abusamos do "da licença" e do "desculpa, a gente tá com pressa".Chegamos na área de embarque. Despedidas às pressas. Mal foi possível um abraço no meu pai e um abraço na minha mãe. "Tá tá tá, a gente tem que ir mãe!" Beijinho no rosto da mãe e mais um abraço e pronto, entramos. Ali dentro havia uma fila grande que passava pela policia federal, onde eles olhavam seu passaporte e sua passagem, graças a deus a fila estava fluindo rápido.
Na sala de espera, foi o tempo da gente chegar e eles anuciaram o embarque do vôo. Outra fila enorme, para entrar no avião. Resolvi que dava tempo de ir correndo mijar no banehiro, nem carecia de pressa, sai do banehiro a fila ainda estava lá.
Entramos no avião. Satisfeitos conosco, por termos conseguido driblar o tempo.
