quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Primeiro Dia (16/07/08): Embarcando no Avião

Primeiro dia da viagem. Acordei por volta das 10 horas da manhã, um pouco em cima da hora para o que eu tinha planejado. Almocei tentando mastigar a comida, mas minha afobação não deixava - É isso mesmo, almocei as 10:45, "breaklunch" como alguns chamam - O alimento ficava poucos segundos na minha boca e já descia direto para o estomago. Provavelmente a última refeição decente que eu teria pelos próximos 15 dias, eu pensei. A Bolivia tinha comida boa? Estava dificil de acreditar que sim.

Meus pais levaram eu e meu irmão até o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Duas horas de Juiz de Fora até lá, a viagem estava apenas começando.

Já na Lina Vermelha, meu pai errou a entrada para o Aeroporto. Pronto né, foi drama generalizado dentro do carro - Poxa pai, tem que prestar atenção, eu sabia que isso ia acontecer! - 5 minutos depois tivemos que calar a boca, descobrimos que o caminho estava correto. Falso alarme.

A chegada no estacionamento do aeroporto foi acompanhada de tensão.
- Tem certeza que tá tudo aí?
- Mãe! Eu já respondi essa pergunta umas dez vezes.

Fomos para o 'Terminal 1' fazer o 'check in' na Gol. Havia uma fila enorme. Pensei, agora fudeu! Estavámos com o tempo contado, considerando que ainda teriámos que procurar pela Anvisa antes de pegar o vôo, sem saber quanto tempo a gente poderia demorar lá. Sorte nossa que a fila era para os vôos domésticos, não havia ninguém na fila para os vôos internaionais. Ufa!

Fizemos o 'check in' sem maiores problemas. Em seguida fomos para uma outra fila onde outros dois funciónários da Gol verificavam as documentações exigidas, para certificar que os passageiros não teriam problemas na entrada em outro país. Fiquei me perguntando o porquê deles fazerem isso. Isso era um problema do passageiro. A única explicação que minha cabeça conseguiu encontrar foi que provavelmente eles deveriam ser obrigados a embarcar de graça o passageiro de volta para o Brasil, caso o passageiro não entrasse no outro páis, sei lá.

O meu passaporte estava okay (por sinal a história de como meu passaporte foi tirado é uma outra odisséia, depois eu conto). O meu irmão, porém, não tinha tirado o passaporte dele, pois para a Bolivia não é necessario, basta apenas o RG. Só que a foto na carteira de identidade dele já era mais ou menos antiga, e os caras ficaram na dúvida se as autoridades bolivianas deixariam ele entrar. Por fim, pediram para que ele replastificasse a carteira. Depois disseram que o escritório da Anvisa era no 'Termina 2'. An? 'Terminal 2'? Era do outro lado do Aeroporto, longe para capeta. Instaurou-se a correria. Fomos replastificar o RG do Ricardo no segundo andar do Terminal 1 e depois saimos em disparada para o Terminal 2. Entre os terminais havia um corredor enorme, gigante! As esteiras horizontais ajudavam a agilizar, mas mesmo assim ainda tinhamos que dar passos largos, quase correndo. Minha mãe foi ficando pra trás.
- Não se preocupem comigo. - ela dizia.

Chegamos no escritório da Anvisa com alguma margem de tempo. A gente precisava pedir o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia antes de embarcar, porque a Bolivia exigia esse documento para entrar no país. Nosso otimismo em relação ao tempo começou a ser frustrado quando a gente deu conta que só havia uma funcionária atendendo, não havia fila, mas na nossa frente havia uma mulher com toda uma família para pegar os certificados, uma criançada fazendo bagunça, o marido e uma velharia lá do lado de fora esperando a mulher fazer tudo sozinha. O fato era eles eram lerdos pra tudo, lentos e divagares. Estavam inda para Angola, visitar algum parente. Só sei que aquela calmaria e lerdeza compactuada, especialmente a do marido dela, que parecia não querer fazer nada, foi começando a me inquietar. Eu não conseguia parar de mexer as pernas e batucar os dedos na cadeira. E o tempo passava e as coisas não aconteciam. Logo a raiva começou a tomar o lugar da aflição. Minha mãe, acho que era a mais indignada, eu ainda tentava manter uma calma. O pior era que a funcionária da Anvisa parecia compartilhar da alegria de ser lerda. Resolvi ir lá explicar a situação para ela. Ela me encarou por detrás dos óculos dela e disse.
- Meu querido, vocês vão ter que esperar.
Eu quase pulei nela.

Fizemos toda a burocracia que se tinha que fazer para pegar certificado e saimos em marcha de corrida de volta para o Termina 1. A gente já tinha estorado há muito, a recomendação de entrar na área de embarque com uma hora de antecedência. Faltavam só 25 minutos para o vôo. Na nossa frente, de novo, aquele corredor enorme que ligava os terminais. Atropelamos as esteiras e abusamos do "da licença" e do "desculpa, a gente tá com pressa".

Chegamos na área de embarque. Despedidas às pressas. Mal foi possível um abraço no meu pai e um abraço na minha mãe. "Tá tá tá, a gente tem que ir mãe!" Beijinho no rosto da mãe e mais um abraço e pronto, entramos. Ali dentro havia uma fila grande que passava pela policia federal, onde eles olhavam seu passaporte e sua passagem, graças a deus a fila estava fluindo rápido.

Na sala de espera, foi o tempo da gente chegar e eles anuciaram o embarque do vôo. Outra fila enorme, para entrar no avião. Resolvi que dava tempo de ir correndo mijar no banehiro, nem carecia de pressa, sai do banehiro a fila ainda estava lá.

Entramos no avião. Satisfeitos conosco, por termos conseguido driblar o tempo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Vacinação contra Febre Amarela

A Bolívia é um país que exige a vacinação contra a Febre Amarela. Eu já tinha sido vacinado em 2001, mas eu não sabia onde estava meu Cartão de Vacinação. Então decidi tomar novamente a vacina para conseguir outro cartão.
Entrei no site da prefeitura da minha cidade e procurei pelo posto do SUS que fosse mais perto da minha casa. Acabei descobrindo que existia um (ultra escondido) a caminho da universidade onde estudo.
Fui na sexta-feira. Antes de entrar, hesitei. O local parecia meio anti-higênico pelo lado de fora.
Fiquei esperando ver a tão famosa "fila do SUS". Mas o local não estava cheio.
Perguntei no balcão se lá tinha a vacina contra a febre amarela. Me disseram que sim. Eu disse que então iria tomar uma dose. O pessoal se 'entre-olhou' com ar de preguiça como se dissessem: "quem vai levar essa droga de garoto que tá querendo tomar vacina?". Ninguém se mobilizou. Até que uma mulher que vinha de um corredor disse: "Podem deixar que eu levo ele."
Acompanhei ela até uma sala. Lá, ela me deu um novo cartão de vacinação, já que eu não sabia onde estava o meu antigo. Depois da aplicação, ela me disse que eu poderia sentir alguns sintomas da gripe, nada que eu devesse me preocupar, e me perguntou se eu queria tomar mais alguma outra vacina. Na hora respondi que não.
No caminho para a universidade, pensando melhor, me bateu um arrependimento. Sabe aquele pensamento que de graça até injeção na testa. Pois então, isso ficou na minha cabeça. Por que não tomar mais vacinas? Injeção na testa não, mas as outras. De graça né. Eu sei que é um pensamento torto. Mas você fica pensando: "é algo que eu tenho direito, então vou usar esse direito." Conclusão, voltei lá na quinta e tomei mais uma injeção, a 'Dupla Adulto dT', contra Difteria/Tétano, só por "precaução", digamos assim... hehehe


*Adendo ao mochileiro:
Vários países tropicais exigem vacinação contra Febre Amarela para permitirem a entrada de estrangeiros em seus territórios. A vacina deve ser tomada com até 10 dias de antecedencia.
No Brasil, a vacina contra a Febre Amarela é diponibilizada gratuitamente pela rede pública de saúde, bastando o interessado procurar alguma UBS (Unidade Básica de Saúde) do SUS em sua cidade. Entretanto, o Cartão de Vacinação emitido pelo SUS possui válidade apenas no território nacional. O interessado em viagens internacionais que necessite comprovar vacinação, precisa procurar algum posto da ANVISA e apresentar o Cartão de Vacinação do SUS para que, então, a ANVISA entregue ao interessado o CIVP (Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia). Os postos da ANVISA estão localizados em aeroportos (de vôos internacionais), em portos e ao longo da linha da fronteira do Brasil. (veja a lista completa: http://www.anvisa.gov.br/paf/viajantes/centro_orientacao.htm)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Primeiro Destino: Bolivia

Uma vez decidido que se fará um mochilão, o passo seguinte é decidir para aonde ir. Europa, o 'sonho americano' dos mochileiros. Boa pedida. Mas não. Europa é um potinho de mel para ser explorado quando se tiver mais experiência. Tinha pensado em algum país na América do Sul. Argentina, Uruguai ou talvez Chile. Depois de 'folhear' algumas páginas na internet, no rodapé de uma página, achei Bolivia. Nessa hora coração bateu mais forte. Mas hesitei. Afinal era Bolivia né, por favor! Só que à medida que eu fui lendo, fui descobrindo uma Bolivia bem interessante e com paisagens surpreedentes. Tava decidido. É claro que a Bolivia é um dos países mais pobres da América. Se prepara, seu conceito do que é um onibús cheio mudará radicalmente, era o que muitos sites falavam.
Os onibús de viagem, na Bolivia, vão abarrotados de gente, inclusive dividindo espaço com animais e outras coisas que é melhor nem descobrir o que é. Eles quase sempre - pra não dizer sempre - saem atrasados, pois só partem da cidade quando estão definitivamente lotados. O cenário parece rejeitante, mas por incrível que pareça, esse foi um dos fatores que me atrairam. Me chamem de maluco, mas eu tenho essa tara em passar por esses tipos de perrengues. "É facil falar antes, quero ver é na hora H", vocês têm toda razão em pensar isso. Eu também tô curioso para ver como eu vou lidar com a situação. É quase que uma provação. Estou tentando me preparar psicologicamente, mas o choque, dizem, é inevitável. Ao lado desse "charminho" boliviano, digamos assim, existem as paisagens (ainda bem!) sem as quais não teria o porquê de eu ir à Bolivia, afinal também não sou tão maluco assim, covenhamos. E é nesse matéria de atrativos naturais da Bolivia que existe realmente um certo desconhecimento das pessoas. Há muitos lugares espetaculares lá (ao que tudo indica). Salar de Uyuni e Lago Titicaca parecem ser os principais, não sei se são os mais bonitos (há vários Parques Nacionais lá), mas são os mais 'badalados', se é que pode usar esse termo pra Bolivia. Existem ainda por lá, algumas arquiteturas a serem apreciadas, ruínas de civilizações pré-colombianas que merecem visitação. Além disso, conhecer uma nova cultura é sempre enriquecedor de qualquer jeito.
Outra coisa, só pra citar. Antes de eu começar a pensar em ir à Bolivia, eu tinha uma idéia muito ruim da disposição geográfica desses países (Bolivia, Peru, Equador, Colombia e Venezuela). Eu achava que Bolivia fazia fronteira com a Colombia, só agora descobri que tem um Peru no meio!
Enfim: decidi ir à Bolivia porque me parece ser um convite a uma grande aventura.

O porquê deste Blog???

Este Blog é para compartilhar experiências...
...Acho que este é o objetivo da maioria dos blogs né. "Mas isso é um saco!", você provavelmente dever ter pensado. Bom... isso é relativo, depende das experiências que são contadas e - pricipalmente - como são contadas.

Preciso confessar, tô com esse plano de fazer mochilões pelo mundo, verdade. Tenho certeza que daí surgirão muitos "causos" interessantes pra contar, dignos de risada ou - quem sabe - espanto.

Além disso, o blog poderá ser uma 'mão na roda' para outros mochileiros que buscam dicas.

Mas de qualquer jeito, mesmo não havendo leitores - nem um que seja - o blog já valerá a pena pelo simples fato de registrar esses momentos para que eu possa, no futuro, recordar. Sabe aquele pequeno detalhizinho peculiar da viagem? Então... A gente acaba esquecendo. É preciso anotar em algum lugar. Que seja aqui. Com muito bom humor, claro.